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Cesare Battisti será levado direto da Bolívia para a Itália

Ele será entregue às autoridades italianas no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, onde foi preso ontem, e não passará pelo Brasil.

Publicado em 13/1/2019
Por Camila Bomfim
Edição André Gomes 

Battisti será levado da Bolívia direto para a Itália sem passar pelo Brasil

O Itamaraty e o Ministério da Justiça divulgaram nota conjunta neste domingo (13) em que confirmam que o italiano Cesare Battisti será levado da Bolívia diretamente para a Itália, sem passar pelo Brasil (veja a íntegra da nota ao final desta reportagem).

O site apurou que o italiano será entregue às autoridades italianas no aeroporto internacional Viru Viru em Santa Cruz de La Sierra, onde Battisti foi preso pela polícia boliviana neste sábado (12).

De acordo com a nota conjunta, Battisti irá diretamente para a Itália, onde "começará a cumprir imediatamente a pena de prisão que lhe foi cominada pela Justiça italiana".

Antes da divulgação da nota, havia sido anunciado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que Battisti passaria pelo Brasil antes de retornar à Itália.

Um avião da Polícia Federal chegou a se deslocar de Corumbá (MS) para a Bolívia para trazer o italiano de volta ao Brasil.

Segundo a nota divulgada pelo Itamaraty e pelo Ministério da Justiça, "o Brasil ofereceu facilitar o embarque pelo território nacional e devido à urgência foi encaminhada uma aeronave da Polícia Federal brasileira à Bolívia".

O documento acrescenta que, no entanto, optou-se pelo envio direto de Battisti à Itália.

Depois da declaração de Augusto Heleno, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, publicou em uma rede social que Battisti seria levado diretamente para o país europeu.

Segundo a imprensa italiana, um voo da Itália chega à Bolívia às 21h (horário local boliviano), sai de lá às 22h (horário local) direto para o aeroporto de Ciampino, em Roma, com chegada prevista pras 14h desta segunda-feira (horário local).

O site apurou que Battisti será entregue às autoridades italianas porque entrou ilegalmente na Bolívia e, por isso, será expulso do país.
Foto mostra italiano Cesare Battisti após ser preso na Bolívia — Foto: Bolivian Police / AFP

Entenda o caso

Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993 sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos na Itália nos anos 1970.

Battisti fugiu da Itália, viveu na França e chegou ao Brasil em 2004. Ele foi preso no Rio de Janeiro em março de 2007 e, dois anos depois, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio.

Em 2007, a Itália pediu a extradição dele e, no fim de 2009, o STF julgou o pedido procedente, mas deixou a palavra final ao presidente da República. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a extradição.

Em setembro de 2017, o governo italiano pediu ao presidente Michel Temer que o Brasil revisasse a decisão sobre Battisti.

No fim do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF que desse prioridade ao julgamento que poderia resultar na extradição.

Um mês depois do pedido da PGR, o ministro Luiz Fux, mandou prender o italiano e abriu caminho para a extradição, no início de dezembro.

Na decisão, o ministro autorizou a prisão, mas disse que caberia ao presidente extraditar ou não o italiano porque as decisões políticas não competem ao Judiciário.

No dia seguinte da decisão de Fux, o então presidente Michel Temer autorizou a extradição de Battisti.

Desde então, a PF deflagrou uma série de operações para prender Battisti. No final de dezembro, a PF já tinha feito mais de 30 operações na tentativa de localizar o italiano.

Battisti nega envolvimento com os homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que nunca matou ninguém.

Nota conjunta

Veja a íntegra da nota divulgada pelo Itamaraty e pelo Ministério da Justiça:

Nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Justiça e Segurança Pública – Entrega de Cesare Battisti à Itália

O terrorista Cesare Battisti retornará diretamente da Bolívia, onde foi preso na madrugada de hoje, para a Itália, onde começará a cumprir imediatamente a pena de prisão que lhe foi cominada pela Justiça italiana.

O Brasil ofereceu facilitar o embarque pelo território nacional e devido à urgência foi encaminhada uma aeronave da Polícia Federal brasileira à Bolívia. No entanto, optou-se pelo envio direto do prisioneiro à Itália.

O governo brasileiro se congratula com as autoridades bolivianas e italianas e com a Interpol pelo desfecho da operação de prisão e retorno de Battisti à Itália. O importante é que Cesare Battisti responda pelos graves crimes que cometeu. O Brasil contribui assim para que se faça justiça.

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