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05/03/2020 às 19h01

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André Gomes

Imperatriz / MA

Ronaldinho deixa promotoria após depoimento, e advogado diz que astro decidiu não sair do Paraguai
Segundo Adolfo Marin, ex-jogador está apto a deixar o país, mas preferiu seguir: "Ele não está sendo processado, e não tenho ideia de qual a decisão do Ministério Público"
Ronaldinho deixa promotoria após depoimento, e advogado diz que astro decidiu não sair do Paraguai
Ronaldinho Gaúcho e Assis saem do depoimento no Paraguai — Foto: REUTERS/Jorge Adorno

Acusado do uso de documentos falsos ao entrar no Paraguai, Ronaldinho deixou a sede da Promotoria contra o Crime Organizado na tarde desta quinta-feira, horas depois de chegar ao local para prestar depoimento. O jogador não conversou com a imprensa, seguindo direto para seu carro, mas o advogado do astro afirmou que ele preferiu ficar no país, embora esteja livre para voltar ao Brasil.


- Ele segue sujeito a processo, ele pode sair do país, mas decidiu não fazê-lo. Ele não foi acusado, não tenho ideia de qual é a decisão do Ministério Público - disse Adolfo Marín, advogado que vem representando o ex-jogador no Paraguai.


Ronaldinho e seu irmão, Assis, são suspeitos do uso de documentos falsos na entrada no Paraguai, na manhã da última quarta-feira. Uma operação à noite, no hotel onde R10 está hospedado, encontrou passaportes e carteiras de identidade no nome dos dois, que, de acordo com as autoridades paraguaias, não são válidos.


- Nós recomendamos que ele prestasse depoimento. Sustentamos a inexistência de qualquer tipo de conduta criminosa. Ronaldinho também se pergunta por que recebeu estes documentos. Nem ele nem seu irmão têm restrições. Ele não utilizou a identidade. O passaporte, sim. É uma incógnita do porquê da origem. Ele têm documentos vigentes e legais - explicou o advogado.


Ronaldinho desembarcou com Assis na manhã da última quarta-feira em Assunção, e seus passaportes chamaram a atenção das autoridades locais. Os dois passaram a ser suspeitos do uso de documentos falsos, mas apenas horas depois, à noite, membros do Ministério do Interior e do MP locais foram ao hotel onde os dois estão hospedados para uma operação de busca.


Segundo o MP, passaportes, carteiras de identidade e telefones de R10 e Assis foram apreendidos na operação no Yacht y Golf Club. Segundo o Ministro do Interior Euclides Acevedo, os dois ficariam sob custódia no hotel até a manhã desta quinta, quando foram prestar depoimento - entretanto, não estariam detidos. Após a audiência, as autoridades paraguaias decidirão se farão uma denúncia contra os dois ou não.


Além dos passaportes, Assis e Ronaldinho apresentaram carteiras de identidade do Paraguai, que teriam sido emitidas em dezembro do ano passado. A versão da promotoria é que os dois saíram do Brasil usando documentos nacionais, mas, ao chegarem em Assunção, teriam recebido os documentos paraguaios em uma sala VIP do Aeroporto Silvio Pettirossi.


Quem teria feito a entrega seria Wilmondes Sousa Lira, apontado como principal suspeito da fraude. O "ABC Color" afirma que Wilmondes, um empresário de 45 anos, foi detido enquanto jantava com Ronaldinho e Assis no mesmo hotel em que os dois estavam hospedados.


Autoridades trocam acusações


O comandante da Polícia Nacional do Paraguai, Sergio Resquín, afirmou que uma empresa chamada "Grupo Beck" solicitou escolta para a chegada de Ronaldinho ao Paraguai, pedindo o apoio de duas motos e uma viatura durante sua permanência no país. Por conta da operação, as autoridades teriam demorado a notar que havia um problema com a documentação do astro, segundo Resquín.


- Quando nos comunicaram que essa pessoa (Ronaldinho) entrou com passaporte paraguaio, a primeira coisa que foi feita foi chamar o setor de Identificações. Buscamos se esse passaporte foi emitido, e nos disseram que não emitiram esse número lá. Mas pelo número do documento, se comprovou que esse passaporte foi emitido pelo setor de Identificações. A investigação vai continuar - disse o comandante da Polícia Nacional.


O diretor do setor de Imigração, Alexis Penayo, alegou que informou o Ministério do Interior sobre os documentos falsos apresentados por Ronaldinho e Assis na chegada ao Paraguai. Entretanto, nada foi feito pela polícia até a noite, quando foi realizada a operação no hotel onde os dois brasileiros estão hospedados.


- Eu tenho a prova de que alertei ao ministro. Informei por mensagem que esses dados não apareciam no sistema, e que em cima aparecia como naturalizado. Apenas foi visualizada. Tenho as provas que avisei ao Ministério do Interior e ao diretor de Identificações. Enviei as fotos dos passaportes e avisei "não aparece no sistema" - disse Penayo.


Mais tarde, o ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, afirmou que faria mudanças na direção do setor de Imigração por conta do caso. Ele afirmou que o setor foi alertado pela polícia e deveria ter impedido a entrada de Ronaldinho e Assis no país. Por isso, apontou que demitiria Alexis Penayo. Entretanto, o diretor anunciou sua renúncia na tarde desta quinta.


O Ministério do Interior foi informado que o passaporte que Ronaldinho utilizou era autêntico, tendo sido emitido da forma correta pelo setor de Identificação da Polícia Nacional do Paraguai. Entretanto, o documento teriam sido alterado depois, com a inclusão dos dados dos dois.


- Por isso, o setor de Identificação não tem nenhuma responsabilidade neste caso, pois o passaporte foi dado a uma cidadã paraguaia, de acordo com as regras. Esta pessoa que fez o que não deveria: vendeu seu passaporte, e ele caiu nas mãos de uma máfia internacional, que se dedica à adulteração dos documentos para destinos desconhecidos - completou o ministro.


De acordo com o "Última Hora", duas mulheres foram detidas em Assunção nesta quinta-feira, apontadas como as donas dos números de passaporte que foram usados por Ronaldinho e seu irmão. Elas foram levadas ao Ministério Público para prestar depoimento. Os documentos não tinham antecedentes de entrada em outros países e foram usados pela primeira vez no Paraguai.


Para Euclides Acevedo, o fato de Ronaldinho ser um astro mundial fez com que os procedimentos não fossem realizados da forma correta - o que levou o jogador a ter sua entrada autorizada no país pela manhã, e apenas durante a noite uma operação policial tenha sido realizada no hotel onde R10 e Assis estavam hospedados.


- Provavelmente, pela popularidade, pularam o protocolo. Se esse protocolo estivesse a cargo da Polícia, diretamente não o teríamos deixado entrar - disse Euclides.

FONTE: Esporte

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