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Robert Serejo: a mente de quem age por vingança


Conversamos com a psicóloga forense e clínica Evelyn Lindholm, que analisou o perfil do estuprador e assassino da menina Alanna Ludmila

Por: Juliana Ribeiro

Crueldade, frieza, perversidade? Palavras não dão conta de descrever o crime que chocou o Maranhão na última semana. Alanna Ludmila, de dez anos, foi estuprada, asfixiada e enterrada em cova rasa no quintal da casa onde morava com a mãe. O assassino confesso: Robert Serejo, 31 anos, ex-padrasto da menina.

Já são sete dias sem Alanna. Após dias de buscas pela criança ainda com vida, o choque de encontrá-la morta, debaixo do próprio teto, e o alvoroço das buscas incessantes do, então, principal suspeito de tê-la matado (foragido até o último sábado, dia 4), o que ficam são questionamentos. Afinal de contas, o que se passa na mente de alguém que comete tamanha atrocidade?


Robert Serejo agiu por vingança

Segundo depoimento prestado à Polícia neste sábado, dia 4, Robert Serejo confessou que agiu porque não gostava de Alanna Ludmila, que, segundo ele, atrapalhava sua relação com Jaciane Pereira, de quem estava separado há dois meses.

Para a psicóloga Evelyn Lindholm, Robert Serejo não possui sinais de patologia, por não ter em seu perfil os traços que caracterizam opressão, rigidez e impulsividade. No entanto, está dentro das características do estuprador vingador por afirmar, em depoimento, que Alanna atrapalhou seu relacionamento com a mãe e influenciou o rompimento.

“Certos detalhes comportamentais, como amarrar a vítima, silenciar, lavar o corpo ou esconder as marcas deixadas não são indício de patologia, mas sim de experiência neste tipo de ocorrência [estupro]. Muitas vezes a patologia está associada a psicopatia, onde a ação não lhe causa culpa, arrependimento ou constrangimento”, comenta a psicóloga Evelyn Lindholm.

Análise do crime

O assassino soube que a menina estaria sozinha porque Jaciane deixou o outro filho, irmão de Alanna, na casa dos avós paternos do garoto (pais de Robert). Chamou a vítima pela janela, não obteve resposta e pulou o muro do quintal. Abriu a porta da cozinha e surpreendeu Alanna, que saía do banho de blusa e toalha. Robert utilizou uma braçadeira para imobilizar a criança e consumou o estupro. “Isso demonstra a intenção e a premeditação da ação criminal, seguido desde ato”, explica a psicóloga.

Após isso, Robert asfixiou Alanna com um saco preto, o que caracteriza a despersonificação da criança, segundo Evelyn Lindholm. “A desova do corpo no local do crime, em uma cova rasa, demonstra falta de prática no crime de homicídio, mas o cuidado em levar a mochila da criança para outro local, denota a intenção de dispersar a atenção para uma ação de sequestro e não de estupro seguido de morte”, comenta Evelyn Lindholm.

Robert Serejo tem noção que o que fez é reprovável socialmente por ter apresentado resistência em confessar o estupro, afirma a psicóloga. Ela, no entanto, aponta que esta consciência pode ser decorrente tanto do constrangimento que a ação traz, quanto da relutância frente à imagem passada à população. “A expressão facial é de suma importância para avaliar o grau de satisfação quanto ao ato ou de consternação, o que só seria possível avaliar, com acesso às imagens do interrogatório”, explica Evelyn Lindholm.

Perfil: estuprador

De acordo com a psicóloga forense e clínica Evelyn Lindholm, o estuprador tem um perfil específico, definido dentro das patologias de impulso por três categorias: o caráter opressor, rígido e impulsivo. O sujeito não consegue deixar de cometer os atos, só consegue prazer de forma específica e repete os crimes. “Estas categorias têm que estar em um mesmo indivíduo para caracterizar a patologia em si, ou seja, ele acredita que não consegue deixar de fazer o que faz, só sente prazer através do estupro e tem o desejo de sempre repetir o ato”, explica a psicóloga.

A partir deste perfil, o estuprador parte para a ação baseada em padrões de ataque. Existem, segundo Evelyn Lindholm, os dominadores, que querem demonstrar virilidade e superioridade; os românticos, que simulam encontros e fazem jogos para cometer o crime; os vingadores, que têm por objetivo principal machucar a vítima como forma de vingança; sádicos, que são os mais perigosos e podem virar seriais; e os oportunistas, que se aproveitam de situações que não têm como foco principal a agressão sexual.

*Evelyn Lindholm é psicóloga forense e clínica, com extensões na área da Psicologia Jurídica, e avaliação do perfil criminal, palestrante e consultora.

O Imparcial
Edição André Gomes 

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