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Guerra na Rocinha, Tropas chegam por terra e de helicóptero


Militares entram na Rocinha para conter a guerra do tráfico

Tropas chegam por terra e de helicóptero e se espalharam pela comunidade. Segundo ministro, área está 'pacificada' e militares têm autorização para ficar lá pelo menos até sábado.

Por G1 Rio


Imagens mostram Tropas Federais entrando na Rocinha

Equipe militares chegaram por volta das 15h30 desta sexta-feira ( 22) à Rocinha, horas após o anúncio do reforço anunciado pelas autoridades de segurança. Inicialmente, um helicóptero das Forças Armadas sobrevoou a região. Pouco depois, tropas por terra chegaram em comboio com muitos veículos (veja programa ao vivo e acompanhe a cobertura em tempo real).

Os militares foram se agrupando na parte baixa da comunidade antes de subir. Após se alinharem, entraram em fila com arma em punho. Moradores acompanharam a ação sem correria. Não houve confronto.

Na parte alta, um helicóptero deixou mais militares, que desceram de rapel na base da UPP (veja abaixo). Policiais da UPP e do Batalhão de Operações Especial (Bope)

Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, os militares têm autorização para permanecer na comunidade pelo menos até o sábado (23), passando a noite por lá. De acordo com ele, a Rocinha está "pacificada". Ainda não há previsão se a ocupação continuará.


Helicóptero militar deixa tropas no alto da Rocinha, no Rio

Os comboios passaram por várias partes da cidade. Blindados, caminhões e outros veículos levavam as tropas para a comunidade, que vive uma guerra entre traficantes há uma semana. O Comando Militar do Leste informou que há agentes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica na operação.


Soldados das Tropas Federais chegam à Rocinha


Blindados da Marinha chegam para operação na Rocinha

Militares fazem reconhecimento na comunidade da Rocinha (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)


Oficiais da Polícia do Exército chegam à Rocinha. Operação mobiliza 950 homens (Foto: Bruno Kelly/Reuters)

Movimentação de militares na Rocinha, no Rio (Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)

950 homens

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou no Palácio do Planalto, depois de uma reunião com o presidente Michel Temer, que 950 homens das Forças Armadas – dos quais 700 da Polícia do Exército – e pelo menos dez blindados vão participar do cerco.

Ele deu a informação pelo Twiiter depois de uma entrevista coletiva na qual tinha anunciado inicialmente 700 homens da Polícia do Exército.


(Foto: Arte/G1)


Blindado das Forças Armadas chega à Rocinha (Foto: Reprodução/TV Globo)

Violência

Na manhã desta sexta, o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio fez uma nova operação na Rocinha, a quinta em cinco dias. Houve um intenso tiroteio entre policiais e criminosos. Traficantes fizeram disparos da área de mata da Rocinha contra policiais que cercavam a comunidade. O comércio voltou a fechar e mais de 6 mil crianças ficaram sem aulas no Rio.

Apesar da grande movimentação de militares, curiosos tiravam fotos muito perto dos veículos blindados e dos agentes fortemente armados.

Por volta das 8h, um grupo de menores botou fogo num ônibus que tava parado no ponto final, perto da praia de São Conrado. Motoristas e fiscais conseguiram controlar as chamas.

A poucos metros dali, bandidos que estavam na mata em cima do túnel Zuzu Angel começaram a disparar contra policiais. Na passarela da Rocinha, PMs encontraram uma granada -- que não explodiu. Os bandidos também atacaram a base da UPP da Rocinha.

Falta de luz

A região chegou a ficar sem luz, por conta de disparos contra a rede elétrica. A Light disse que só pode ajeitar a situação depois que a segurança no local for controlada e que suas equipes possam acessar a favela.

Durante o dia, por conta da intranquilidade na cidade, foram difundidos boatos que a PM fez questão de desmentir, como a passagem de carros com criminosos no Jardim Botânico e no Alto Leblon, na Zona Sul.

Instituições como a OAB-RJ e a Firjan se pronunciaram. Ambos fizeram duras críticas à política de segurança do Estado.

Militares avançam nas ruas da Rocinha (Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo o Jungmann, estão no Rio de Janeiro aproximadamente 30 mil militares, dos quais 10 mil, operacionalmente, podem ser moblizados, de acordo com a necessidade. "Neste momento, por se tratar de uma demanda de urgência, você desloca com mais velocidade a Polícia do Exército”, disse.

O pedido para que os militares fosse acionados partiu do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão e do secretário de Segurança Pública do estado, Roberto Sá. O secretário afirmou que, desde o último domingo 17, quando a Rocinha foi invadida por criminosos ligados ao traficante Nem, as polícias civil e militar monitoram a situação na comunidade. Ele afirmou que somente nesta sexta foi identificada a necessidade do auxílio das Forças Armadas.

O ministro afirmou que, na reunião com Temer, o presidente “reiterou sua disposição de manter” o apoio das forças federais nas ações que estão em curso, inclusive do ponto de vista orçamentário.

“Até hoje não tivemos nenhuma escassez, não deixou de faltar qualquer recurso para realizar qualquer operação no Rio de Janeiro”, disse Jungmann.

Ação social e força-tarefa

O ministro Raul Jungmann também informou que nos próximos dias Temer e o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, irão ao Rio de Janeiro para anunciar um "amplo pacto na área social".

Antes do encontro com Temer, Jungmann se reuniu por cerca de uma hora com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a quem propôs a formação de uma força-tarefa integrada por procuradores e representantes do governo federal.

Segundo ele, o objetivo da força-tarefa será "combater não só o crime organizado, mas o estado paralelo, ou seja, aquelas instituições do estado capturadas pelo crime organizado".

A Procuradoria Geral da República informou que Raquel Dodge pediu ao ministro da Defesa para formalizar uma proposta, com a indicação do papel de cada órgão na força-tarefa.

Segundo Jungmann, a procuradora-geral sugeriu a instalação de parlatórios dentro das penitenciárias e dos presídios federais como forma de intermediar as comunicações entre presos e advogados.

O ministro defendeu a instalação desses parlatórios em unidades prisionais, maior parte das quais administradas pelos estados. Conforme o ministro, o preso ficaria separado por um vidro do advogado ou familiar e se falariam por telefone, com as conversas registradas. Jungmann declarou que há resistência à medida, sobretudo de advogados criminalistas.

Questionado se o plano nacional de segurança fracassou ao não impedir a comunicação entre criminosos dentro da prisão e seus comparsas na rua, o ministro afirmou que o governo federal faz apenas as varreduras nas prisões. “Fizemos as varreduras. Agora, mantê-las limpas [as cadeias] evidentemente é trabalho dos estados”.

“Nós fizemos até agora 30 varreduras e encontramos dentro destes presídios um fato extremamente preocupante: 1 em cada 3 presos está armado em presídios e penitenciárias do país. Lá dentro, encontramos celulares, televisor, tudo o que vocês imaginarem. Boa parte do nosso sistema prisional é uma peneira”, declarou.

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